A auditoria como uma ferramenta para a Governança Corporativa

 

A importância dos auditores independentes e os desafios do setor diante do aumento das exigências legais

 

Os recentes desdobramentos de investigações expondo falhas normativas, desvios contábeis e casos graves de corrupção fizeram, enfim, o meio empresarial se atentar para a necessidade da implementação de boas práticas corporativas. Como consequência disso, este cenário aumentou a responsabilidade dos profissionais envolvidos neste processo de adequação das empresas às exigências legais.

 

É o caso, por exemplo, dos auditores independentes responsáveis pela análise das demonstrações contábeis de determinada organização. Neste artigo, quero comentar acerca das responsabilidades do auditor e da relevância de seu trabalho para a Governança Corporativa, visando apontar caminhos para que estes profissionais enfrentes os novos desafios do mercado.      

 
A importância da auditoria independente para a Governança Corporativa

 

Primeiramente, é válido esclarecer o conceito de Governança Corporativa. Em linhas gerais, estamos tratando de um sistema que monitora e dirige o relacionamento entre proprietários, sócios e conselhos administrativos de uma determinada organização.

Seu intuito principal, tomando como base a definição do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) é o de converter “princípios básicos em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor econômico de longo prazo da organização, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para a qualidade da gestão da organização, sua longevidade e o bem comum”.

 

Ademais, a adoção de regras rígidas de Governança Corporativa é também uma exigência da Bovespa para empresas interessadas em ofertas ações na Bolsa, além de favorecer a entrada de investimentos, visto que tais organizações são mais bem vistas pelo mercado de modo geral.

 

Tendo em vista tais fatores, a auditoria independente atua como uma ferramenta importante para a Governança Corporativa, posto que é de sua responsabilidade, por exemplo, a análise de informações contábeis divulgadas a investidores e se tais demonstrações condizem com a realidade da empresa. Além disso, os auditores independentes atuam fornecendo reports e discutindo temas relevantes para organização com os comitês de auditoria e/ou conselhos administrativos da empresa.

 

A principal vantagem de uma auditoria independente trata-se do fato de que ela aumenta o nível de confiabilidade das demonstrações contábeis, desde que os profissionais atuem de acordo com a observância de quesitos técnicos e atendendo as normas dos órgãos reguladores.

 
Os desafios apresentados pelo mercado

 

Em artigo recente do Jornal DCI, especialistas apontam que elementos como o aumento da concorrência e das próprias exigências legais tem tornado o ambiente de negócios mais acirrado para os profissionais de auditoria.

 

Creio que um primeiro passo já foi dado em prol da resolução de tais pontos. Estou falando do novo modelo de relatório dos auditores independentes, a ser aplicado às demonstrações contábeis encerradas em 31 de dezembro de 2016 ou após. Esse novo relatório terá maior transparência com relação a um melhor entendimento sobre as responsabilidades da administração ou responsáveis pela governança na elaboração das demonstrações contábeis e também das responsabilidades dos auditores na emissão de opinião sobre essas divulgações.

 

Ainda assim, é fato que em meio a tal contexto, os auditores precisarão criar diferenciais para se sobressair e oferecer um serviço que os torne cruciais para as realidades de seus clientes. De todo modo, aqueles que souberem se posicionar no mercado irão se fortalecer, pois, ainda que o refinamento das exigências e dos próprios órgãos fiscalizatórios ampliem a responsabilidade dos auditores e, a alta competitividade do mercado seja um desafio relevante, temos, por outro lado, a busca do meio empresarial por uma maior transparência nas organizações, fato que tende a gerar oportunidades. Aproveitá-las é questão de estratégia.

 

*Artigo publicado originalmente no Linkedin em  01/07/2016.

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